terça-feira, 28 de abril de 2026

Encontro de Jovens das CEBs

No dia 18 de abril, a comunidade Nossa Senhora de Guadalupe, no Sítio Cruz, acolheu jovens das comunidades de Paranatama, Lajedo, do próprio Sítio Cruz e de localidades vizinhas. Com a assessoria de Aninha e Luana, foi refletido o tema escolhido pelos jovens: “Juventudes: como a arte musical fortalece as CEBs”.

O encontro teve início com uma oração conduzida por Luana, utilizando a dinâmica do Ofício das Comunidades, e foi concluída com uma mensagem do Papa Francisco dirigida aos jovens. De forma participativa, Aninha fez a introdução ao tema, destacando a importância da música na sociedade, na história do povo de Deus, especialmente nos Salmos, e na vida da Igreja e das comunidades.

Em seguida, Luana incentivou os jovens a expressarem sua compreensão sobre as CEBs. Após esse momento, os participantes foram divididos em quatro grupos, com a proposta de escolher duas músicas, uma popular e outra religiosa, e refletir sobre como elas alimentam a fé, a compreensão e o fortalecimento das CEBs. Os grupos socializaram suas reflexões, e Aninha destacou os principais pontos de cada partilha. Luana aprofundou a reflexão a partir da vida de Jesus de Nazaré, ressaltando que é missão de todos fecundar o mundo com o amor de Deus, presente nas ações de Jesus. Destacou ainda que é nosso compromisso levar esse amor a todas as pessoas, especialmente aos mais pobres, sem limitar a experiência de Deus apenas aos que estão dentro da Igreja, pois o Reino de Deus é para todos.

A segunda parte da tarde foi dedicada a brincadeiras e dinâmicas, proporcionando momentos de alegria, muitas gargalhadas e revelando também o espírito competitivo de alguns participantes. Em pequenos grupos, foram sugeridos temas para o próximo encontro. Na avaliação final, o encontro foi considerado muito positivo, marcado por grande interação, descobertas e aprendizado. Vale ressaltar ainda a segurança, desenvoltura e profundidade das assessoras Aninha e Luana. O encontro foi encerrado com uma oração, seguida de um lanche, abraços e despedidas.









domingo, 26 de abril de 2026

O seguimento de Jesus: viver a fé que se encarna no meio do povo

O Encontro das CEBs do Regional NE II, vivido nos dias 10, 11 e 12 de abril de 2026, foi mais que um momento de formação, foi uma experiência de fé encarnada, de encontro profundo com o Jesus de Nazaré que caminha com o povo.

A partir da reflexão conduzida por Padre Aquino Júnior, fomos convidados a mergulhar no seguimento de Jesus não como teoria, mas como modo de vida. Com palavras simples, mas profundamente provocadoras, ele nos recordou que “sem Jesus, Cristo não tem carne”, ou seja, não existe fé verdadeira sem encarnação, sem compromisso com a realidade, sem presença no meio dos pobres. 

Seguir Jesus é assumir seu projeto, viver a causa do Reino de Deus, atualizar no hoje o seu jeito de ser e de amar. Nele, a Palavra se fez carne, entrou na história e habitou o chão da vida. É justamente esse o caminho que somos chamados a trilhar: viver uma fé concreta, com sabor, comprometida com a realidade e expressa no cotidiano. Nunca foi fácil viver o Evangelho, mas é nesse mundo, marcado por tantas contradições, que a nossa fé precisa se tornar presença viva e transformadora.

É dessa experiência encarnada que brota o seguimento de Jesus, que nos conduz à missão. E missão, para nós, é participar da construção do Reino de Deus, onde o amor se traduz em direito e justiça para todos. Trata-se de um chamado exigente, pois nos convida a amar, inclusive aos inimigos, não por mérito ou por bondade, mas porque essa é a vontade de Deus. Um Deus que não responde ao mal com o mal, mas que ama porque é bom e nos ensina a fazer o mesmo. Assim, ao assumirmos esse caminho, vamos compreendendo, de forma cada vez mais profunda, o sentido do amor misericordioso de Deus. 

Em Jesus de Nazaré, não encontramos um amor distante ou seletivo, mas um amor que se inclina, que se aproxima e que se compromete com a dor humana. A misericórdia, longe de ser uma fraqueza, revela-se como uma força que restaura, ternura que devolve dignidade e fidelidade que jamais desiste de ninguém. O amor misericordioso de Deus tem rosto, tem gestos, tem escolhas concretas. Ele se manifesta quando Jesus toca os intocáveis, quando olha nos olhos daqueles que foram invisibilizados, quando interrompe caminhos para escutar quem sofre. É um amor que não pergunta primeiro pelo mérito, mas que reconhece a necessidade. Um amor que não exclui, mas acolhe, que não condena, mas oferece sempre a possibilidade de recomeço.

Além disso, esse amor tem também um caráter profundamente transformador, pois rompe com as lógicas do mundo que classificam, hierarquizam e descartam, uma vez que ao colocar no centro os pobres, os pecadores, os doentes e os marginalizados, Jesus revela que, para Deus, ninguém é sobra. Pelo contrário, são justamente esses que se tornam prioridade do seu reinado.

A misericórdia, assim, não é apenas sentimento, é uma prática. Quando Jesus cura, não é apenas o corpo que é restaurado, mas toda a vida da pessoa, sua dignidade, sua relação com a comunidade e com Deus. Quando perdoa, não é apenas uma falta que é apagada, mas um novo caminho que se abre. Quando senta à mesa com os pecadores, não é apenas uma refeição, mas um gesto profético que anuncia que todos têm lugar.

E é a esse mesmo dinamismo que somos chamados a viver. Nas nossas comunidades, a misericórdia ganha corpo quando acolhemos quem chega, quando partilhamos o pouco que temos, quando insistimos na esperança mesmo diante das dificuldades. Dessa forma, ela se faz presente nas pequenas atitudes do dia a dia, na escuta paciente, no cuidado com os mais frágeis e na luta por justiça. Diante disso, viver segundo o Espírito de Jesus é deixar que esse amor molde nossas escolhas, nossas relações e nossa missão. É aprender a olhar o mundo com os olhos de Deus, a sentir com o coração de Deus e a agir com as mãos de Deus.

Jesus, mesmo ungido com Espírito de poder, passou pelo mundo fazendo o bem, vivendo em total coerência entre o que anunciava e o que realizava. Seu amor, profundamente misericordioso, colocava no centro os pobres, os excluídos e todos aqueles que tiveram sua dignidade ferida. Em cada gesto, ele nos mostra que o Reino de Deus acontece onde a vida é cuidada, reerguida e reintegrada. Assim, quando Deus reina, todos têm lugar à mesa. Por isso, nossa experiência de fé não pode ficar restrita ao interior da Igreja, mas precisa transbordar em atitudes concretas que fecundem o mundo com o amor de Deus.

Essa é a nossa missão como povo das CEBs, fazer com que esse amor alcance, sobretudo, os últimos deste mundo. Somos então chamados a reconhecer no outro, e também na criação, a presença de Deus que clama por cuidado, respeito e compromisso.

Em resumo, foi um encontro marcado pela simplicidade, pela partilha e pela profundidade. Um verdadeiro reencontro com o Jesus da caminhada, aquele que se revela no rosto do povo. E também um encontro com a beleza de uma Igreja viva, que resiste, sonha e luta. Com gratidão, seguimos firmes, alimentados por essa experiência, certos de que: vida vivida com Jesus é vida vitoriosa mesmo se crucificada. 

Luana da Silva Ferreira 

Comunidade Nossa Senhora de Guadalupe – Sítio

Cruz

Diocese de Garanhuns – PE

Regional Nordeste II












quinta-feira, 26 de março de 2026

Ampliada das CEBs: refletindo a Campanha da Fraternidade 2026

No último sábado, 21 de março, o Sítio Cruz foi espaço de encontro, partilha e fortalecimento da caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Reunindo irmãos e irmãs das comunidades do Sítio Cruz, Paranatama e Lajedo, a Ampliada aconteceu em clima fraterno, iniciando com o café e se estendendo ao longo da manhã, até o almoço.

Iniciamos nosso encontro com um momento de apresentação e boas-vindas, seguido da oração que nos colocou em sintonia com Deus e com a caminhada do povo. Em seguida, mergulhamos na reflexão da Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós”.

Fomos apresentados ao método que orienta a campanha, ver, iluminar, agir e celebrar, um caminho que nos convida a olhar a realidade com os olhos de Deus, deixar a Palavra nos guiar, transformar intenções em ações concretas e celebrar a vida em comunidade. Através de vídeos e partilhas, refletimos sobre a dura realidade das pessoas em situação de rua e em vulnerabilidade social, reconhecendo que esse cenário não está distante, mas muito próximo de nós. Também foi destacada a questão do racismo, que agrava ainda mais a exclusão dessas pessoas, em sua maioria negras, invisibilizadas pela sociedade.

A partir das falas e da escuta atenta, fomos provocados a reconhecer nosso papel enquanto cristãos e cristãs comprometidos com o Reino: não podemos nos calar diante das injustiças. Somos chamados a lutar pela dignidade e pelos direitos daqueles e daquelas que muitas vezes não têm voz.

Em seguida, iluminando essa realidade com a Palavra de Deus, refletimos sobre a parábola do bom samaritano e sobre a própria vida de Jesus, que se fez próximo dos pobres e marginalizados. O lema da campanha ganhou ainda mais força ao recordarmos que o próprio Cristo não teve onde nascer, sendo acolhido em uma manjedoura. Hoje, Ele continua presente em cada pessoa que sofre, que não tem onde morar, que vive à margem da sociedade. Somos, portanto, convidados a ir ao encontro desses irmãos e irmãs, assumindo o compromisso de lutar por terra, teto e trabalho para todos.

Nossa fé, enraizada na memória, também nos levou a recordar testemunhas que dedicaram suas vidas à construção do Reino, como Dom Hélder Câmara, Dom Thiago e Frei Juvenal, este último lembrado com carinho por sua sensibilidade e compromisso com os mais pobres, especialmente nas ações concretas como os mutirões para construção de casas.

Após esse rico momento de reflexão, nos organizamos em grupos para pensar os próximos encontros. A juventude definiu como tema do seu primeiro encontro: “Juventudes, músicas e fé: como a arte musical pode alimentar a nossa caminhada de CEBs?”. Já o grupo de mulheres iniciou a construção de sua temática, destacando a importância de abordar o cuidado com a saúde mental da mulher, bem como o enfrentamento ao machismo e ao feminicídio. Surgiu também a proposta de incluir os homens nesse diálogo, para que sejam parceiros na luta contra toda forma de violência.

Por fim, na avaliação, o encontro foi marcado como um espaço profundamente significativo. Sendo ressaltada a riqueza das partilhas, a escuta atenta e respeitosa, a participação ativa de todos e todas, e a oportunidade de aprender e refletir coletivamente. Foi um momento de fortalecer a caminhada, renovar esperanças e assumir compromissos concretos. Também foi destacado o processo de construção coletiva dos temas, reforçando a importância de caminhar juntos, em comunhão.

Encerramos nosso encontro com a oração final, agradecendo a Deus pela manhã vivida, e seguimos para o almoço, partilhando não só o alimento, mas também a alegria de sermos uma comunidade viva, comprometida com a vida, com os pobres e com o  Reino.







domingo, 8 de fevereiro de 2026

Mutirão - Fé vivida no cuidado e na partilha

      Na última sexta-feira, dia 06/02, aconteceu mais um mutirão de limpeza do nosso espaço comunitário. Um grupo de mulheres e jovens acordou cedo e colocou a mão na massa para cuidar daquilo que é de todos nós, deixando tudo ainda mais bonito e acolhedor.

       O mutirão é um gesto concreto de cuidado com aquilo que é comum, mas também é um tempo de encontro e convivência. Enquanto o trabalho acontece, surgem as conversas, as risadas, a partilha da vida e o fortalecimento dos laços que nos unem como comunidade.

      Depois de tudo limpinho, nos reunimos ao redor da mesa para rezar, agradecendo a Deus pela vida, e partilhamos o café da manhã, sinal de comunhão e fraternidade.

      São momentos como esse que alimentam e fortalecem a nossa vida em comunidade. O cuidado com o espaço nasce do sentimento de pertença, de saber que este lugar é nosso, é sinal da nossa caminhada e da nossa fé vivida no dia a dia.

      Assim, seguimos firmes, cuidando da casa comum e caminhando juntos, como uma comunidade viva e comprometida com o Reino de Deus, que começa a acontecer em nosso meio. 









domingo, 18 de janeiro de 2026

“Um povo unido é Deus salvando, um povo unido é Deus agindo, um povo unido é Deus libertando.”

          Essa frase ecoou forte na celebração de hoje, presidida por Padre Adriano, amigo e companheiro de caminhada. Um canto que traz na memória a voz, a profecia e o testemunho de Frei Juvenal, que tantas vezes o entoou em meio ao povo simples, nas lutas e esperanças do nosso chão.

         Padre Adriano recordou a Missa das Águas, celebrada na baixinha, em Paranatama, e como esse momento o fez lembrar da caminhada de Frei Juvenal e de sua luta incansável pelo direito à água. Água que é dom de Deus, mas também direito do povo, sinal de vida digna, justiça e cuidado com a criação.

          A reflexão ainda nos provocou a olhar para nossa própria vida, reconhecendo que fé que não se encarna no cotidiano não transforma. Nossa fé precisa estar entrelaçada com a vida, com as lutas do povo, com as causas que defendem a dignidade humana, pois somos chamados a fazer das nossas ações uma seta apontada para Jesus, como fez São João Batista, não para nós mesmos, mas para o Reino que liberta, cura e faz viver.

         É assim que nas CEBs, aprendemos que quando o povo se une, Deus age, que a unidade fortalece, a caminhada coletiva sustenta, e a fé vivida em comunidade se torna força de libertação. Um povo unido não apenas canta, um povo unido faz história, constrói justiça e anuncia, com a própria vida, o Deus que caminha com os pobres.