segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Seminário: “Eleições: democracia, sinodalidade e bem comum!” a ser realizado dia 29/08/2026.

        No dia 29 de agosto, representantes das CEBs e da Escola Fé e Política chegaram cedo à Casa de Formação Nossa Senhora de Guadalupe. O café partilhado foi também partilha de vida: entre abraços, conversas e sorrisos, celebramos a alegria do reencontro. Na capela, demos continuidade ao encontro com a oração inspirada no Ofício Divino das Comunidades. Na recordação da vida, fomos convidados a partilhar as boas notícias que brotam de nossas comunidades, reconhecendo que, mesmo em meio aos desafios, há sementes de esperança sendo cuidadas todos os dias.

          Em seguida, acompanhamos, pelo telão, a reflexão do Pe. Francisco de Aquino Júnior sobre a missão social da Igreja e o compromisso cristão com a defesa da vida. Em sua fala abordou o questionamento comum sobre o porquê da Igreja se envolver com temas como terra, teto, trabalho e direitos das mulheres. Foi argumentado que a fé cristã e a missão evangelizadora implicam um compromisso efetivo com a defesa e promoção da vida, não apenas no âmbito pessoal e sentimental, mas também na organização social de acordo com o mandamento do amor fraterno.

          A missão da Igreja foi definida como anunciar e tornar presente o Reino de Deus, o que exige compaixão, solidariedade, perdão e justiça. Que a Igreja deve partir da perspectiva dos últimos, dos pobres e dos marginalizados, pois a fé cristã busca organizar a sociedade para que a vontade de Deus aconteça, promovendo a fraternidade e a justiça social. Pe. Aquino Júnior destacou que as atividades sociais da igreja, como a Campanha da Fraternidade, são essenciais para a promoção da vida e da dignidade humana, e que a fé cristã, centrada no cuidado com o próximo, exige que a diocese atue de forma sociotransformadora, atendendo aos pobres marginalizados com quem Jesus se identificou.

          Ao abrir o encontro para perguntas e intervenções Pe. José Emerson, coordenador diocesano de pastoral, saudou os presentes e enfatizou a importância da soberania e da atuação das pastorais sociais frente aos desafios atuais, como a corrida imperialista pelos minérios, convocando todos à responsabilidade evangélica. Cleiton, representando a paróquia de São Luís Gonzaga, questionou como inserir pessoas marginalizadas na comunidade e superar a sensação de que ações sociais estão à margem da vida da igreja. Luana, do Sítio Cruz, indagou como a igreja pode superar o assistencialismo e abraçar uma caridade que combate estruturas opressoras. Por fim, Kaique perguntou se é possível falar de caridade sem enfrentar as causas estruturais da pobreza.

          Em resposta Pe. Aquino nos fez refletir que a caridade abrange tanto o cuidado com necessidades imediatas quanto a atuação política, ilustrando com exemplos práticos como a limpeza de lixões e a luta por saneamento e água, demonstrando que pequenas ações criativas podem gerar grandes mudanças sociais. Na sequência Padre Everaldo reforçou a importância do roteiro enviado pela diocese para a "Semana do Pobre", que inclui visitas a presídios, periferias e hospitais, além de um subsídio celebrativo em correção que visa orientar a pastoral social.

          A partir da reflexão, realizamos uma roda de conversa sobre as eleições de 2026, utilizando as cartilhas do CEFEP, que foram distribuídas aos presentes e também destinadas às comunidades, para que possam formar grupos de oração, reflexão e discernimento. Afinal, nossa fé também nos chama a participar da construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

          O último ponto da pauta foi a preparação da 30ª Festa da Colheita, tempo bonito de celebrar, agradecer a Deus pelos frutos da terra e fortalecer os laços que nos unem. As camisetas e os copos comemorativos já começaram a circular, levando consigo a alegria e a expectativa pelo reencontro que acontecerá em outubro.

          Assim, entre oração, formação, planejamento e partilha, seguimos fazendo das CEBs um lugar onde a vida é celebrada, a fé se encarna na realidade e a esperança se constrói coletivamente.











II Encontro de Jovens das CEBS de 2026 – “Juventudes no seguimento de Jesus” - 22/08/2026.

 


No dia 22 de agosto, as juventudes das Comunidades Eclesiais de Base de Garanhuns, Paranatama e Lajedo se encontraram para viver um dia de espiritualidade, reflexão, partilha e convivência, iluminado pelo tema “Juventudes das CEBs no seguimento de Jesus”. Como os discípulos de Emaús, foram todos convidados a caminhar juntos, escutar, perguntar e deixar o coração aquecer.

          Na parte da manhã, Luana e Ana Maria conduziram o momento de estudo e espiritualidade a partir do texto bíblico dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35). Após a oração inicial, a passagem foi reconstruída coletivamente, permitindo que os jovens recuperassem personagens, gestos, palavras e sentidos daquela caminhada. Em seguida, os jovens foram organizados em grupos de cinco pessoas e enviados a diferentes espaços para meditar a Palavra a partir de duas perguntas: “O que eu faria se encontrasse Jesus no caminho? Que conversa teria com Ele?”. O convite era para imaginar esse encontro não como algo distante, mas como uma experiência possível no cotidiano. Além da reflexão, cada grupo recebeu o desafio de encontrar uma forma de partilhar suas descobertas com os demais, utilizando múltiplas linguagens. Assim, a Palavra foi ganhando corpo, voz, traços, gestos e melodias.

          Na igreja, as apresentações revelaram diferentes maneiras de perceber e experimentar a presença de Jesus. Surgiram testemunhos sobre a relação e a conexão pessoal com Ele, trechos bíblicos que inspiram e sustentam a caminhada, desenhos, cartazes, pequenas encenações e músicas. A vida de São Carlo Acutis foi lembrada como inspiração para uma juventude que busca cultivar sua relação com Cristo no tempo presente.

          Ao final desse momento, Cida Souza retomou uma dimensão fundamental para a espiritualidade das CEBs: nosso vínculo não pode se afastar do Jesus histórico, daquele que caminhou entre o povo, aproximou-se dos excluídos, sentou-se à mesa com quem era rejeitado e devolveu dignidade àqueles que a sociedade insistia em invisibilizar. Seguir Jesus, nessa perspectiva, não é apenas professar uma fé, mas assumir um jeito de estar no mundo: comprometido com a vida plena, com a justiça, e com a dignidade de todas as pessoas.

          Foi nesse horizonte que também foram distribuídas cartilhas do CEFEP, destinadas à reflexão e à oração sobre as eleições de 2026. O gesto ajudou a recordar que fé e vida não percorrem estradas separadas e representa um convite a olhar para a realidade, discernir nossas escolhas e assumir responsabilidades na construção de uma sociedade mais justa, democrática, solidária e fraterna.

          À tarde, novamente reunidos no grande grupo, aprofundamos a reflexão a partir do texto escrito por Luana sobre o Encontro Regional das CEBs, que também teve como eixo o Seguimento de Jesus. A leitura abriu espaço para ricas partilhas e para uma afirmação que permaneceu ecoando entre nós: “sem Jesus, Cristo não tem carne”, ou seja, não existe fé verdadeira sem encarnação, sem compromisso com a realidade, sem presença no meio dos pobres.”

          Depois de tantas palavras, reflexões e provocações, chegou também o tempo de simplesmente estar juntos. No salão, algumas dinâmicas trouxeram leveza ao encontro, despertaram risadas e favoreceram a aproximação entre os jovens. Encerramos o dia com uma breve avaliação e oração. Talvez tenhamos voltado para casa como aqueles discípulos voltaram de Emaús: não necessariamente com todas as respostas, mas com algo diferente pulsando dentro de nós. Afinal, seguir Jesus é colocar-se a caminho. 





















sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Partilhando experiências do 8º Nordestão das CEBs

Quero iniciar este relato ressaltando que participar do Nordestão foi, sem sombra de dúvidas, uma das vivências mais enriquecedoras deste ano. As emoções começaram ainda na viagem, que quase deu errado para mim. No entanto, a paciência e o apoio dos bons amigos ajudaram-me a compreender que é importante manter a calma e não se desesperar. 

As doze horas de estrada, de Caruaru ao Ceará, tornaram-se mais leves por ter ao meu lado pessoas que exalam boas energias e vontade de aprender. A troca de experiências iniciou logo no caminho.

Ao chegarmos a Iguatu, no Ceará, fomos recebidos com belos sorrisos, músicas e muita comida. Em seguida, conhecemos as famílias que nos acolheram tão bem em seus lares e nos trataram como parte de suas famílias.

No que se refere à temática do Nordestão, "CEBs do Nordeste: caminhando com as juventudes, na alegria do Evangelho, a serviço do Reino", escutamos diversas falas de pessoas que acreditam que o jeito CEBs de viver resiste e que as juventudes possuem um papel fundamental na vida da Igreja e da sociedade como um todo. Sentir que existem pessoas que acreditam na capacidade, na linguagem e nas ideias dos jovens nos impulsiona a continuar nossa missão nas comunidades.

Ademais, no Nordestão, senti-me acolhida. Muitas pessoas compreendem o peso que a sociedade capitalista impõe às juventudes, fazendo-nos acreditar que estamos sempre atrasados e, com isso, gerando ansiedade e desânimo. Entretanto, momentos como esse fortalecem nossa fé e renovam nossa esperança de que dias melhores virão. Foi um momento de reafirmar que, sim, acreditamos nas juventudes de nossas comunidades. Compartilhar todas essas reflexões com outros jovens da comunidade é um privilégio; queremos que eles saibam que são capazes de ler, interpretar e transformar a realidade que os oprime. Com certeza, podemos continuar lutando por vida em plenitude para todos e, principalmente, pelos mais oprimidos.

Em meio a tantas risadas durante a viagem de volta, em determinado momento, as lágrimas ganharam espaço quando Gildo Xukuru nos ajudou a refletir que estamos dando continuidade à missão de Frei Juvenal e que ele deve estar muito feliz com nosso trabalho.

Diante deste relato, agradeço a Cida, a Franciely Falcão, a Marcelo, a Dom Agnaldo e a toda a comunidade do meu amado Sítio Cruz pelo apoio para que pudéssemos participar desse encontro tão significativo e repleto de aprendizados, que levaremos para a vida e para a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base.

Ana Maria Lopes 



O 8º Nordestão das Comunidades Eclesiais de Base, em Iguatu, no Ceará, foi um desses momentos que renovam a esperança, fortalecem a caminhada e nos fazem acreditar ainda mais na força da vida em comunidade.

Desde a nossa chegada, fomos surpreendidos pela acolhida do povo cearense. Os sorrisos, a música, os abraços e o carinho das famílias que abriram suas casas nos ensinaram que a fraternidade é um dos mais belos sinais do Reino de Deus. Assim, antes mesmo do início das atividades, já éramos convidados a viver aquilo que seria a essência de todo o encontro: a partilha, o cuidado e a alegria de caminhar juntos. 

Ao longo dos dias, fomos convidados a refletir sobre os desafios e as esperanças das juventudes, sobre o nosso papel na Igreja e na sociedade. As reflexões nos recordaram a importância de voltar às fontes do Evangelho e de recuperar o frescor original da Boa-Nova anunciada por Jesus. Desse modo, inspirados pelo Concílio Vaticano II, fomos chamados a reafirmar o jeito de ser Igreja das CEBs: uma Igreja que é Povo de Deus, que caminha ao lado dos pobres, que escuta, acolhe e se compromete com a transformação social. Assim, compreendemos que a fé só encontra seu verdadeiro sentido quando está profundamente ligada à vida, inspirando-nos a construir comunidades comprometidas com a justiça, com a dignidade humana e com o cuidado da Casa Comum. Ao mesmo tempo, reafirmamos que as juventudes não são apenas o futuro, mas sim o presente, chamadas a assumir o protagonismo na construção de um mundo mais fraterno e solidário.

Ao final do encontro, compreendi que o Nordestão não terminava com a celebração de encerramento, pelo contrário, ele apenas recomeçava em cada comunidade para a qual voltávamos. Dessa forma, levo comigo muito mais do que lembranças, levo novos aprendizados, amizades construídas ao longo da caminhada, o coração reacendido pela esperança e a certeza de que ser jovem é assumir o compromisso de transformar a realidade à luz do Evangelho. Volto acreditando ainda mais na força da vida comunitária, na beleza da diversidade das juventudes e na missão de construir, em comunhão, uma Igreja sinodal, acolhedora, profética e fiel ao projeto de Jesus de Nazaré.

Por fim, gostaria de agradecer à Tia Cida, à Francielly Falcão, à minha comunidade e ao nosso bispo, Dom Agnaldo Timóteo, por acreditarem na juventude e por nos proporcionarem viver uma experiência tão transformadora. Minha gratidão também a Marcelo, Ana Maria e Vinícius, companheiros de caminhada, com quem tive a alegria de partilhar cada momento vivido em Iguatu. Estendo ainda esse agradecimento a todas as pessoas que conheci e reencontrei durante o Nordestão. Cada abraço, cada conversa, cada celebração e cada gesto de carinho fizeram deste encontro uma experiência inesquecível. Que possamos seguir caminhando juntos e juntas, mantendo acesa a esperança e renovando, a cada dia, o compromisso com o Reino de Deus.

Luana Ferreira



A experiência de trilhar o caminho rumo ao 8° Nordestão das CEBs foi, sem dúvidas, uma das melhores na minha caminhada. É sentir a força de uma Igreja comprometida com o evangelho, que brota do chão da vida, onde as pessoas celebram a partilha sincera do pão, das alegrias e dos desafios vividos em cada território.

Durante todo o encontro, tivemos vários momentos de reflexões riquíssimas, refletindo sobre os desafios e possibilidades de fortalecer a participação das juventudes em nossas comunidades, como potencializar e fortalecer o protagonismo dos jovens, fazendo com que sejamos, na comunidade e também na sociedade, sujeitos de transformação.

No encontro, muito me encantou a fala do padre Aquino Júnior, com uma tamanha simplicidade e sabedoria que nos deixa mais fortalecidos na vida em comunidade. Ao nos dizer que "é importante voltar sempre ao frescor das fontes das histórias do evangelho", ele nos faz voltar às primeiras comunidades, lá do livro Atos dos Apóstolos, reafirmando que a vida fraterna é fundamental na comunidade. Retornando a essas fontes, é possível encantar com beleza e ternura as juventudes, com esse jeito de ser igreja: uma igreja a serviço do reino, lutando por justiça e vida plena para todos.

Quero, por fim, ressaltar o quanto o 8° Nordestão me deixou mais apaixonado por esse jeito de ser igreja das CEBs, onde a fé viva se faz partilha, onde a fé é encarnada na vida, e onde o testemunho da caminhada dos idosos inspira as juventudes a se encantarem cada vez mais por esse jeito de viver a fé. O Nordestão me deixou ainda mais apaixonado por Jesus de Nazaré, esse Jesus que tão simples está presente na nossa caminhada eclesial de base.

Vinícius Gomes Evangelista









terça-feira, 28 de julho de 2026

Assembleia dos Sócios e Sócias - 2026

No início do mês, 4 de julho de 2026, aconteceu a nossa assembleia anual de sócios e sócias.

Momento importante na caminhada das Comunidades e do nosso espaço comum, o Santuário das Comunidades. Celebramos a vida, em especial a vida de Pe. Reginaldo, que em junho completou 90 anos!

Houve eleição da Diretoria; discutimos sobre o tema do 45º Natal das Comunidades; houve prestação de contas. Ainda em clima das festas juninas, nós nos confraternizamos à noite ao redor da fogueira. Muitos desafios pela frente, e muita gratidão pelas estradas percorridas juntos e juntas, pelas vidas doadas em comunidade, pelos compromissos com o bem viver.

Veja algumas fotos: