segunda-feira, 13 de julho de 2026

02 - Memória das Sócias Fundadoras - Maria José Noronha

 Maria José de Noronha, carinhosamente conhecida como Maria Tato, nasceu em 3 de março de 1935, no Sítio Olho D'Águinha, município de Paranatama (PE). Era filha de Lourenço Nunes Bezerra e Antônia Maria da Conceição. Teve como irmãos José, Antônio,Venceslau, Adalberto, Luiz, Francisco, Agripina, Quitéria, Isabel, Josefa e Maria (Til).

Casou-se com Manoel Lourenço de Noronha, com quem constituiu uma numerosa família. O casal teve os filhos Lourdes, Socorro, Cida, Têca, Zefinha, Tânia e Francisco.

Maria Tato viveu no Sítio Olho D'Águinha até 1963, quando se mudou para a cidade de Paranatama, dando continuidade à sua caminhada comunitária e ao compromisso com as causas sociais.

Ao longo de sua trajetória, destacou-se como uma das principais lideranças comunitárias do município. Participou da criação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) em Paranatama e da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Também esteve envolvida em diversos projetos e programas comunitários, contribuindo para o desenvolvimento social do município.

Foi uma das criadoras do Movimento de Combate à Violência contra a Mulher em Paranatama, atuando em defesa dos direitos das mulheres e da justiça social. Coordenou a evangelização católica por toda a vida, viveu sua fé de forma comprometida com as lutas populares e com a organização das comunidades.

Enfrentou o coronelismo da época ao lado de Frei Juvenal, lutando pela superação do autoritarismo e do patriarcado. Em razão de seu posicionamento político e de sua atuação como mulher em espaços públicos, também sofreu perseguições políticas. Foi candidata ao cargo de vereadora, ocasião em que enfrentou ataques pessoais que influenciaram sua decisão de não assumir o mandato.

Sua atuação extrapolou os limites do município. Participou de mobilizações em Brasília e no Rio Grande do Sul representando sua comunidade, e trazendo projetos voltados ao fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base.

Na área da saúde pública, participou dos Conselhos de Saúde, das Conferências de Saúde e atuou na Secretaria da Mulher. 

Maria Tato enfrentou coronéis, desafiou estruturas e, movida pela fé, ajudou a pacificar a história de Paranatama. Foi e continua sendo referência de coragem, solidariedade e compromisso com sua comunidade.



















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