sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Partilhando experiências do 8º Nordestão das CEBs

Quero iniciar este relato ressaltando que participar do Nordestão foi, sem sombra de dúvidas, uma das vivências mais enriquecedoras deste ano. As emoções começaram ainda na viagem, que quase deu errado para mim. No entanto, a paciência e o apoio dos bons amigos ajudaram-me a compreender que é importante manter a calma e não se desesperar. 

As doze horas de estrada, de Caruaru ao Ceará, tornaram-se mais leves por ter ao meu lado pessoas que exalam boas energias e vontade de aprender. A troca de experiências iniciou logo no caminho.

Ao chegarmos a Iguatu, no Ceará, fomos recebidos com belos sorrisos, músicas e muita comida. Em seguida, conhecemos as famílias que nos acolheram tão bem em seus lares e nos trataram como parte de suas famílias.

No que se refere à temática do Nordestão, "CEBs do Nordeste: caminhando com as juventudes, na alegria do Evangelho, a serviço do Reino", escutamos diversas falas de pessoas que acreditam que o jeito CEBs de viver resiste e que as juventudes possuem um papel fundamental na vida da Igreja e da sociedade como um todo. Sentir que existem pessoas que acreditam na capacidade, na linguagem e nas ideias dos jovens nos impulsiona a continuar nossa missão nas comunidades.

Ademais, no Nordestão, senti-me acolhida. Muitas pessoas compreendem o peso que a sociedade capitalista impõe às juventudes, fazendo-nos acreditar que estamos sempre atrasados e, com isso, gerando ansiedade e desânimo. Entretanto, momentos como esse fortalecem nossa fé e renovam nossa esperança de que dias melhores virão. Foi um momento de reafirmar que, sim, acreditamos nas juventudes de nossas comunidades. Compartilhar todas essas reflexões com outros jovens da comunidade é um privilégio; queremos que eles saibam que são capazes de ler, interpretar e transformar a realidade que os oprime. Com certeza, podemos continuar lutando por vida em plenitude para todos e, principalmente, pelos mais oprimidos.

Em meio a tantas risadas durante a viagem de volta, em determinado momento, as lágrimas ganharam espaço quando Gildo Xukuru nos ajudou a refletir que estamos dando continuidade à missão de Frei Juvenal e que ele deve estar muito feliz com nosso trabalho.

Diante deste relato, agradeço a Cida, a Franciely Falcão, a Marcelo, a Dom Agnaldo e a toda a comunidade do meu amado Sítio Cruz pelo apoio para que pudéssemos participar desse encontro tão significativo e repleto de aprendizados, que levaremos para a vida e para a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base.

Ana Maria Lopes 



O 8º Nordestão das Comunidades Eclesiais de Base, em Iguatu, no Ceará, foi um desses momentos que renovam a esperança, fortalecem a caminhada e nos fazem acreditar ainda mais na força da vida em comunidade.

Desde a nossa chegada, fomos surpreendidos pela acolhida do povo cearense. Os sorrisos, a música, os abraços e o carinho das famílias que abriram suas casas nos ensinaram que a fraternidade é um dos mais belos sinais do Reino de Deus. Assim, antes mesmo do início das atividades, já éramos convidados a viver aquilo que seria a essência de todo o encontro: a partilha, o cuidado e a alegria de caminhar juntos. 

Ao longo dos dias, fomos convidados a refletir sobre os desafios e as esperanças das juventudes, sobre o nosso papel na Igreja e na sociedade. As reflexões nos recordaram a importância de voltar às fontes do Evangelho e de recuperar o frescor original da Boa-Nova anunciada por Jesus. Desse modo, inspirados pelo Concílio Vaticano II, fomos chamados a reafirmar o jeito de ser Igreja das CEBs: uma Igreja que é Povo de Deus, que caminha ao lado dos pobres, que escuta, acolhe e se compromete com a transformação social. Assim, compreendemos que a fé só encontra seu verdadeiro sentido quando está profundamente ligada à vida, inspirando-nos a construir comunidades comprometidas com a justiça, com a dignidade humana e com o cuidado da Casa Comum. Ao mesmo tempo, reafirmamos que as juventudes não são apenas o futuro, mas sim o presente, chamadas a assumir o protagonismo na construção de um mundo mais fraterno e solidário.

Ao final do encontro, compreendi que o Nordestão não terminava com a celebração de encerramento, pelo contrário, ele apenas recomeçava em cada comunidade para a qual voltávamos. Dessa forma, levo comigo muito mais do que lembranças, levo novos aprendizados, amizades construídas ao longo da caminhada, o coração reacendido pela esperança e a certeza de que ser jovem é assumir o compromisso de transformar a realidade à luz do Evangelho. Volto acreditando ainda mais na força da vida comunitária, na beleza da diversidade das juventudes e na missão de construir, em comunhão, uma Igreja sinodal, acolhedora, profética e fiel ao projeto de Jesus de Nazaré.

Por fim, gostaria de agradecer à Tia Cida, à Francielly Falcão, à minha comunidade e ao nosso bispo, Dom Agnaldo Timóteo, por acreditarem na juventude e por nos proporcionarem viver uma experiência tão transformadora. Minha gratidão também a Marcelo, Ana Maria e Vinícius, companheiros de caminhada, com quem tive a alegria de partilhar cada momento vivido em Iguatu. Estendo ainda esse agradecimento a todas as pessoas que conheci e reencontrei durante o Nordestão. Cada abraço, cada conversa, cada celebração e cada gesto de carinho fizeram deste encontro uma experiência inesquecível. Que possamos seguir caminhando juntos e juntas, mantendo acesa a esperança e renovando, a cada dia, o compromisso com o Reino de Deus.

Luana Ferreira



A experiência de trilhar o caminho rumo ao 8° Nordestão das CEBs foi, sem dúvidas, uma das melhores na minha caminhada. É sentir a força de uma Igreja comprometida com o evangelho, que brota do chão da vida, onde as pessoas celebram a partilha sincera do pão, das alegrias e dos desafios vividos em cada território.

Durante todo o encontro, tivemos vários momentos de reflexões riquíssimas, refletindo sobre os desafios e possibilidades de fortalecer a participação das juventudes em nossas comunidades, como potencializar e fortalecer o protagonismo dos jovens, fazendo com que sejamos, na comunidade e também na sociedade, sujeitos de transformação.

No encontro, muito me encantou a fala do padre Aquino Júnior, com uma tamanha simplicidade e sabedoria que nos deixa mais fortalecidos na vida em comunidade. Ao nos dizer que "é importante voltar sempre ao frescor das fontes das histórias do evangelho", ele nos faz voltar às primeiras comunidades, lá do livro Atos dos Apóstolos, reafirmando que a vida fraterna é fundamental na comunidade. Retornando a essas fontes, é possível encantar com beleza e ternura as juventudes, com esse jeito de ser igreja: uma igreja a serviço do reino, lutando por justiça e vida plena para todos.

Quero, por fim, ressaltar o quanto o 8° Nordestão me deixou mais apaixonado por esse jeito de ser igreja das CEBs, onde a fé viva se faz partilha, onde a fé é encarnada na vida, e onde o testemunho da caminhada dos idosos inspira as juventudes a se encantarem cada vez mais por esse jeito de viver a fé. O Nordestão me deixou ainda mais apaixonado por Jesus de Nazaré, esse Jesus que tão simples está presente na nossa caminhada eclesial de base.

Vinícius Gomes Evangelista









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