No dia 29 de agosto, representantes das CEBs e da Escola Fé e Política chegaram cedo à Casa de Formação Nossa Senhora de Guadalupe. O café partilhado foi também partilha de vida: entre abraços, conversas e sorrisos, celebramos a alegria do reencontro. Na capela, demos continuidade ao encontro com a oração inspirada no Ofício Divino das Comunidades. Na recordação da vida, fomos convidados a partilhar as boas notícias que brotam de nossas comunidades, reconhecendo que, mesmo em meio aos desafios, há sementes de esperança sendo cuidadas todos os dias.
Em seguida, acompanhamos, pelo telão, a reflexão do Pe. Francisco de Aquino Júnior sobre a missão social da Igreja e o compromisso cristão com a defesa da vida. Em sua fala abordou o questionamento comum sobre o porquê da Igreja se envolver com temas como terra, teto, trabalho e direitos das mulheres. Foi argumentado que a fé cristã e a missão evangelizadora implicam um compromisso efetivo com a defesa e promoção da vida, não apenas no âmbito pessoal e sentimental, mas também na organização social de acordo com o mandamento do amor fraterno.
A
missão da Igreja foi definida como anunciar e tornar presente o Reino de Deus,
o que exige compaixão, solidariedade, perdão e justiça. Que a Igreja deve
partir da perspectiva dos últimos, dos pobres e dos marginalizados, pois a fé
cristã busca organizar a sociedade para que a vontade de Deus aconteça,
promovendo a fraternidade e a justiça social. Pe. Aquino Júnior destacou que as
atividades sociais da igreja, como a Campanha da Fraternidade, são essenciais
para a promoção da vida e da dignidade humana, e que a fé cristã, centrada no
cuidado com o próximo, exige que a diocese atue de forma sociotransformadora,
atendendo aos pobres marginalizados com quem Jesus se identificou.
Ao
abrir o encontro para perguntas e intervenções Pe. José Emerson, coordenador
diocesano de pastoral, saudou os presentes e enfatizou a importância da
soberania e da atuação das pastorais sociais frente aos desafios atuais, como a
corrida imperialista pelos minérios, convocando todos à responsabilidade
evangélica. Cleiton, representando a paróquia de São Luís Gonzaga, questionou
como inserir pessoas marginalizadas na comunidade e superar a sensação de que
ações sociais estão à margem da vida da igreja. Luana, do Sítio Cruz, indagou
como a igreja pode superar o assistencialismo e abraçar uma caridade que
combate estruturas opressoras. Por fim, Kaique perguntou se é possível falar de
caridade sem enfrentar as causas estruturais da pobreza.
Em
resposta Pe. Aquino nos fez refletir que a caridade abrange tanto o cuidado com
necessidades imediatas quanto a atuação política, ilustrando com exemplos
práticos como a limpeza de lixões e a luta por saneamento e água, demonstrando
que pequenas ações criativas podem gerar grandes mudanças sociais. Na sequência
Padre Everaldo reforçou a importância do roteiro enviado pela diocese para a
"Semana do Pobre", que inclui visitas a presídios, periferias e
hospitais, além de um subsídio celebrativo em correção que visa orientar a
pastoral social.
A partir
da reflexão, realizamos uma roda de conversa sobre as eleições de 2026, utilizando as cartilhas do CEFEP, que foram
distribuídas aos presentes e também destinadas às comunidades, para que possam
formar grupos de oração, reflexão e discernimento. Afinal, nossa fé também nos
chama a participar da construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
O
último ponto da pauta foi a preparação da 30ª Festa da Colheita, tempo bonito de celebrar, agradecer a Deus
pelos frutos da terra e fortalecer os laços que nos unem. As camisetas e os
copos comemorativos já começaram a circular, levando consigo a alegria e a
expectativa pelo reencontro que acontecerá em outubro.
Assim,
entre oração, formação, planejamento e partilha, seguimos fazendo das CEBs um
lugar onde a vida é celebrada, a fé se
encarna na realidade e a esperança se constrói coletivamente.








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