segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Encontro de Mulheres das CEBs (24 e 25 de maio de 2019)

POLÍTICAS PUBLICAS PARA E PELAS MULHERES


                               Final de maio próximo passado, 45 companheiras de várias comunidades eclesiais de base da Diocese de Garanhuns se reuniram  com o intuito de discutirem Políticas Públicas para mulheres, lá no Recanto Franciscano, oficialmente conhecido como Casa de Formação Nossa Senhora de Guadalupe, localizado no Sítio Cruz – Município sede desse bispado.
                              O encontro promovido pela equipe diocesana de CEBS de Garanhuns, integra um conjunto de iniciativas que objetivam – através da ligação da FÉ com a VIDA, elemento identificador das atividades de toda comunidade eclesial de base –, fortalecer a discussão sobre igualdade entre homens e mulheres e encontrar meios de combate às formas de preconceito e discriminação herdadas de uma sociedade patriarcal e excludente, que ainda violenta a alma feminina todos os dias, negando-lhe direitos inerentes às suas especificidades.
Inconformadas com essa prática que atravessa os séculos, nós mulheres das CEBS, durante o referido encontro, abrimos rodas de conversas a respeito de políticas públicas destinadas a responderem os problemas que, como grupo social específico, enfrentamos diariamente em nossas comunidades, cientes de que, um Brasil mais justo, igualitário e democrático, que preocupe-se com a valorização da mulher e sua inclusão no processo de desenvolvimento social, econômico, político e cultural do País, depende também do processo de tomada de consciência crítica de todas nós,  as  vítimas da ausência e/ou ineficiência de tais políticas.
  Registro que nessa empreitada, não estávamos sós.  Pensando e interagindo conosco estava a Drª Valquíria, psicóloga integrante da Secretaria da Mulher do Município de Garanhuns, que muito colaborou para entendermos a temática de “equidade de gênero” a partir de nossas próprias concepções sobre o assunto.  Assim, com o olhar conscientemente voltado para nosso agir cotidiano, muitas de nós, tiveram sua visão sobre a temática  ampliada e puderam perceber dentre outras coisas, que:
-   Quando uma mãe educa uma menina de maneira diferente da que educaria um menino, fazendo com que a filha ache natural lavar a louça do jantar enquanto o irmão joga vídeo game na sala, está reproduzindo o modelo de educação familiar machista.

- Quando pensamos que uma mulher não tem o direito de não querer se casar e ter filhos, ou julgamos uma outra mulher pela quantidade de parceiros que teve, ou pelas roupas que veste, estamos disseminando as ideias machistas, responsáveis por atribuir rótulos desprezíveis às mulheres.
 Quando uma mulher acha inaceitável que seu marido/companheiro ganhe menos do que ela, ou que pensa que homem sensível é fraco ou pouco másculo, perpetua um juízo de valor absurdamente machista, que alimenta as práticas discriminatórias que apequenam as pessoas e a si mesmo.

-  Quando questionamos a nossa liberdade ou quando ignoramos os nossos anseios ou perspectivas com medo do que podem pensar de nós – como mulheres – , estamos aceitando a canga da opressão, cedendo à pressão das posturas machistas que condenamos e, contribuindo, ainda que involuntariamente, com a manutenção do mal social que tanto queremos erradicar da sociedade.
Pois bem. Como se pode ver, foi um tempo produtivo, esse que tiramos para falarmos sobre “coisas de mulherzinha”. Tão bom, que prometemos a nós mesmas, revisitar o tema outras vezes, reproduzir nossa conversa e ideias no meio social que estamos inseridas, e, ficarmos atentas para não repetirmos, irrefletidamente, costumes machistas e acabarmos por engrossar as fileiras dos que ainda não compreenderam que podemos e devemos viver em um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e essencialmente fraternos.

Por Gláucia Terra

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Pe. Gabriel Hofstede: Presente na Caminhada!


 
Pe. Gabriel, participando do Grito dos Excluídos 2015
Padre Gabriel Hofstede nasceu em abril de 1933 na Holanda. Entrou na ordem dos Redentoristas ainda adolescente e em 1955 foi enviado para o Brasil ainda como jovem seminarista. Após sua ordenação sacerdotal em 1959, retornou para Europa e, ainda como jovem sacerdote, estudou teologia moral em Roma o que lhe deu a oportunidade de acompanhar de perto o Concílio Vaticano II. Com o coração vibrando pelos caminhos indicados pela Igreja no Concílio, volta para o Brasil em 1965 onde permaneceu como missionário por toda a sua vida. Foi professor no ITER-Instituto Teológico do Recife, espaço de formação sacerdotal criado por D. Hélder Câmara, que promoveu uma prática pastoral comprometida com as transformações propostas pelo Concílio Vaticano II. Companheiro e amigo de Padre Humberto Plummen, seu superior provincial, e de D. Hélder Câmera; foi protagonista de uma ação pastoral libertadora, voltada para a promoção da dignidade da pessoa humana e defesa dos direitos e liberdades individuais ainda na sombria época da ditadura militar.
            Padre Gabriel dedicou a maior parte de sua vida ao povo brasileiro especialmente o povo do nordeste a quem ele chamou de sua família, que, como a família biológica e a religiosa, lhe ofereceu “... tudo que possa tornar alguém feliz [...] este bom povo brasileiro, especialmente os nordestinos, que com seu espírito acolhedor, me abraçaram de coração, o que faz com que hoje eu me veja e seja como um deles” (Pe. Gabriel em seu livro “Histórias que eu conto aos 80”).
No ano de 2000 foi enviado para Garanhuns, como pároco da paróquia do Perpétuo Socorro. Paróquia de um público bastante diversificado, pois engloba bairros da elite local e bairros periféricos de grande vulnerabilidade social. No coração de Padre Gabriel, tinha lugar para todos, porém sua dedicação e preferência pelos empobrecidos eram visíveis.
Em Garanhuns, entre outras tantas ações sociais, lutou pelo direito à moradia de muitas famílias e, junto com sua congregação, mantinha uma vila, a “Vila do jubileu”, que disponibilizava casas para abrigar famílias enquanto essas lutavam pela reinserção no mundo do trabalho.  Assim, padre Gabriel, associava os serviços de caridade ao enfrentamento das injustiças sociais.
A fim de promover a participação dos cristãos leigos na política, impulsionou e deu condições para que se criasse em Garanhuns uma Escola Fé e Política local.  Em 2009, ajudou a cinco jovens da paróquia de N. Sra. do Perpétuo Socorro a fazerem a Escola Fé e Política Pe. Humberto Plummen do Regional Ne2. No ano de 2010 apenas duas dos cinco jovens decidiram fazer a segunda etapa dessa formação: Lianna Veras e Andreza Rachel. Em 2011 a Escola Fé e Política Regional lançou a proposta de que as dioceses assumissem a primeira etapa da formação e a regional ficaria com a segunda etapa. Em 2012, Pe. Gabriel vendo a participação e engajamento dessas duas jovens com o apoio de Rubens Pita, educador atuante já na escola regional, decidiu embarcar nesse projeto. Assim, deu-se início em agosto de 2012 a primeira turma da Escola Fé e Política local que traz seu nome como um dos patronos: Escola Fé e Política Irmãos Juvenal Bomfim e Gabriel Hofstede.
          A presença de padre Gabriel em nosso meio foi uma suave manifestação do Reino de Deus com todo seu poder transformador. Na vida de padre Gabriel “A Palavra se fez carne”. Ternura de pai/mãe, olhar acolhedor, vigor de profeta, que nunca se omitiu ou se calou em nome de um “falso consenso”. Não tinha vergonha de manifestar suas opções políticas também partidárias. Falava da alegria de ter visto nosso país sair do mapa da fome e vibrava ao lembrar cada política pública conquistada nos anos anteriores. Seus olhos brilhavam ao ver jovens da periferia e do espaço rural nas universidades.
 No último Café Político em 2018 realizado pela escola Fé e Politica local, onde se reuniram eleitores e candidatos à Assembleia Legislativa; Pe.Gabriel  falou algo que sempre repetia em nossos encontros: “Desde criança eu ouvia uma frase na Holanda que o Brasil era o país de todas as possibilidades”. Disse que ao chegar aqui constatou que isso era verdade e não se conformava com a extrema pobreza na qual viviam vários brasileiros. Padre Gabriel tinha um sonho: que cada brasileiro tivesse acesso a “todas as possiblidades” que esse país oferece. 
Em dia 01 de agosto de 2019, Pe. Gabriel fez sua Páscoa, cumpriu sua missão e nos deixou a certeza de que sonhos não morrem. Padre Gabriel não morre. Renasce em cada um que luta para concretizar esse sonho. Nossa eterna gratidão a Deus por ter dado à humanidade esse grande homem.
Padre Gabriel, Presente!


Ângela Ramalho

Pela equipe de Coordenação da Escola Fé e Política Irs.Juvenal Bomfim e Gabriel Hofstede:




Encontro da Comissão Ampliada de CEBS - 03 e 04/08/2019


 Neste primeiro fim de semana de agosto, a casa de formação Nossa Senhora de Guadalupe mais uma vez acolheu líderes comunitários integrantes da comissão ampliada de CEBs da Diocese de Garanhuns/PE. Eram lideranças de 8 comunidades.
O encontro foi o segundo agendado para este grupo neste ano e tem o objetivo de alargar a instância deliberativa da Coordenação Diocesana de CEBs, possibilitando que um maior número de pessoas possa opinar e participar efetivamente da discussão e tomada de decisões importantes para o encaminhamento das tarefas relativas às atividades planejadas para acontecerem no decorrer de 2019 no campo em que nos cabe atuar.
Desta feita, o grupo debruçou-se sobre a seguinte pauta:
ü  Grito dos excluídos – informes relativos à data e atividades preparatórias para o engajamento das comunidades nas atividades que motivam e fundamentam a realização do evento.
ü  23ª Festa da Colheita – deliberações referentes à articulação, organização, levantamento de recursos financeiros e participação efetiva das comunidades antes e durante a concretização deste festejo.
ü  Intervenção Comunitária – ponderações sobre o problema do alcoolismo que se alastra nas comunidades e contribui fortemente para o afastamento dos indivíduos das atividades comunitárias e aumento da violência doméstica.
A inclusão deste último item da pauta se deu em face do desejo incontido de  promover mais um espaço de debate dessa problemática social que há tempos reclama a intervenção mais direta da comunidade eclesial, posto ser o alcoolismo uma doença que afeta a todos que aspiram restaurar o rosto de cristo (dignindade humana) indelevelmente refletido nas feições dos sofredores.
 Tal iniciativa, por sua vez, visa atender ao apelo contido no Documento nº 100 da CNBB, que nos impele a expandir nossa ação pastoral para além do altar e  deixar de nos ocupar apenas com as atividades internas da Eclésia,   para sermos uma igreja em saída que dialogue com o mundo.
Nesse sentido caminhamos e definimos estratégias para ampliação da discussão e enfrentamento desse problema em parceria com entidades, grupos, organizações que demonstram a mesma preocupação e agem evangelicamente, acolhendo, orientando e cuidando daqueles que são diretamente atingidos por tão grande malefício.
Terminamos o encontro, relativamente satisfeitos com as deliberações e esforços que temos feito para “sair da sacristia” (como dizia Frei Juvenal) e ir ao encontro dos sofredores e necessitados, como fez o mestre Jesus.  Que nessa empreitada, não nos falte a coragem e a fé... Assim seja!

Por Gláucia Terra.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Escola Fé e Política de Garanhuns realiza segundo módulo da Turma 2019

RECADINHO MATUTO 

Eita que o mês de São João começou animado pras bandas do Recanto Franciscano, no Sítio Cruz. No primeiro dia do mês, a turma bonita da Escola Fé e Política Irmãos Juvenal Bomfim e Gabriel Hofstede foi pra lá se agarrar no estudo do “Antigo Testamento e o Sonho de Deus”. Comadre Hermínia se arrancou lá de Caruaru pra vir também se aboletar naquele rincão tão querido e conduzir essa empreitada.
O pessoal começou botando um cuzcuzinho no bucho pra aguentar o batente. Ainda bem, porque no salão de reunião foi um tal de dinâmica pra cá, leitura pra lá. O povo uma hora tava tudo junto rezando, outra hora tava espalhado nas sombras dos jatobás refletindo… Pense num lote de gente arretada! Na hora de partilhar no grupão as conversas, aparecia uns artistas. Era poesia, cordel, paródia e até teatro. Tinha até umas estrelinhas, Emilly e Luana, que deram um show declamando de pronto o capítulo 8 do primeiro livro de Samuel e mostraram que, no Sítio Cruz, santo de casa faz milagre sim.


Foi mesmo bonito espiar pra eles falando da história do povo de Israel com aquelas reviravoltas de deixar no chinelo essas novelinhas e também umas tal de série do Netfrix… Pois uma hora o povo tava rico, outra hora tava pobre. Parecia história de Chicó… Era muita coisa, mas matutando aqui ainda me lembro que eles falaram que o povo se organizava numa Confederação Tribal, depois invejaram os vizinhos e quiseram ter um rei que mandasse em tudo. Quando os reis faziam estripulias, apareciam uns caba arrochado que denunciavam tudim que tava errado. Eram os profetas. Olha, esses davam trabalho aos poderosos e abriam os olhos do povo, viu? Naqueles meio, chegou um rei do estrangeiro mais possante e mandou o povo simbora pra o exílio. Depois que voltaram da tal Babilônia já apareceram outras compricação…
Sei não, viu? Só vocês indo pra vê tanta riqueza de conhecimento. Mas não é só a cuca que funciona não. De noite fizeram um arrasta-pé, com uma quadrilha junina bem animada, comandada por comadre Roseane, de Caetés. Quem não queria mexer o esqueleto, não ficava sem mexer os músculos mastigando. Tome pamonha, pé-de-moleque, tapioca e outras comidinhas deliciosas.
No domingo, teve ainda a missa com o povo das redondezas e o estudo de um papé que falava de terra, teto e trabalho. Esse papa Francisco tá lembrando sempre desses direitos para todos. Pense num home que não tem medo de cara feia e tá dando o recado que muita gente não quer ouvir... Enfim, foi um final de semana de muito proveito. Começando bem direitinho esse mês tão abençoado. E viva São João!!!

sexta-feira, 10 de maio de 2019

12º Encontro de Jovens das CEBs acontece em Garanhuns




Na política e na vida, ignorância não é uma virtude... Eis aí uma verdade definitiva!  Este talvez tenha sido o maior aprendizado que cerca de 40 jovens das Comunidades Eclesiais de Base da Diocese de Garanhuns adquiriram no último final de semana do mês de abril próximo passado. 
Reunidos na Casa de Formação Nossa Senhora de Guadalupe –  espalhados nos terreiros de terra batida  ou abrigados pelas sobras dos jatobás –  os jovens  das comunidades    do Sítio Nambi, Brito 3 e Cupira em Paranatama e do Sítio Cruz em Garanhuns,   refletiram sobre POLÍTICAS PÚBLICAS, em momentos e instâncias distintas, seguindo o planejamento  e as dinâmicas previamente estabelecidas pela Comissão de CEBS da Diocese de Garanhuns.
 No início do encontro abordou-se a temática de forma ampla apresentando a conceituação e exemplificação daquilo que ora se conhece como sendo políticas públicas.  Depois, a  discussão da temática se aproximou do universo  da  população jovem expondo as políticas públicas atuais que impactam positiva ou negativamente em suas vidas. Por fim, após trabalhos em grupos e cochichos produtivos, os jovens  propuseram ações que  minorariam os problemas  existentes em suas comunidades que, na ótica deles, despontam como entraves  para viverem melhor  e  dignamente, ou, em outras palavras, BEM VIVEREM!
Terminado o encontro, como produto das rodas de conversas e escuta da juventude ali presente, restou-nos a percepção de que ampliar a presença dos jovens nas esferas públicas de implementação de políticas públicas é tarefa urgente e necessária.  As questões públicas que atravessam nossas vidas como o desemprego, a qualidade na educação, o acesso a bens culturais, dentre outras, estão latentes na vida da maioria dos jovens e portanto, fazer a juventude se interessar por política incentivando uma cultura de participação efetiva nesses espaços é fundamental para se evitar infelizes resultados políticos como os obtidos nas últimas eleições ocorridas no Brasil.

sábado, 20 de abril de 2019

Escola Fé e Política de Garanhuns promove Seminário sobre Políticas Públicas

No último sábado, 13/04/2019, o Recanto Franciscano, no Sítio Cruz, abrigou o I Seminário Diocesano de Fé e Política. Em sintonia com a Campanha da Fraternidade, o evento teve o objetivo de aprofundar a discussão acerca das Políticas Públicas, apresentando desde o conceito e os embates naturais que estas enfrentam para encontrar espaço na agenda do Estado, até questões relacionadas à sua formulação, implementação e, por fim, seu necessário monitoramento e controle social.


Iniciamos o dia sentindo o agradável cheiro da terra, ainda jubilosa com as recentes chuvas, ouvindo o trinado dos pássaros e sentindo a suave brisa que paira nas sombras daqueles jatobás. Neste cenário rezamos e confirmamos na Palavra de Deus que o sonho de justiça e igualdade não foi inventado agora, mas é projeto do próprio Criador.

A assessoria contou com o profundo conhecimento e a contagiante simpatia de Evandro Alves, do Instituto Solidare, organização social que tem dado um inspirador exemplo na promoção do desenvolvimento sociofamiliar na periferia de Recife. Ouviam-no atentas numerosas pessoas de diversas cidades da região, sujeitas dos mais variados papéis: estudantes e professores, catequistas e crismandos, eleitores e vereadores, trabalhadores e sindicalistas, agentes de pastorais e de movimentos sociais… Enfim, uma pequena amostra do povo de Deus, que pôde aprofundar-se num debate tão necessário.

Saímos desse encontro com uma renovada carga de entusiasmo, revigorados pela certeza de que a esperança de um mundo melhor encontra eco em outros corações. Todavia, cientes de que não basta desejá-lo. De braços cruzados, não vamos moldá-lo. Um dos caminhos de ação discutidos apontou para o acompanhamento e fiscalização de políticas públicas em nível municipal, que já tem a proximidade como essencial vantagem.
A Escola Fé e Política Irmãos Juvenal Bomfim e Gabriel Hofstede agradece o apoio dos parceiros que tornaram possível a realização do evento como a Diocese de Garanhuns, Irmãs Franciscanas de Siessen e a Comissão Diocesana de CEB’s.

Texto: Luciano Alves
Imagens: Francielly Falcão