sábado, 18 de agosto de 2012

O lento triunfo da teologia da libertação


A Teologia da Libertação, como teologia católica, urge a Igreja a se converter na igreja dos pobres.
 A análise é do teólogo jesuíta chileno Jorge Costadoat, professor da Pontifícia Universidade Católica do Chile e diretor  do Centro Teológico Manuel Larraín, em artigo publicado no sítio Cristo en Construcción. 



A Teologia da Libertação, como assegura G. L. Müller, é teologia católica. O novo prefeito daCongregação para a Fé fala em termos gerais, o que equivale a dizer que é “católico” que uma teologia tente formular a fé e que, na tentativa, alguns ensaios sejam melhores do que outros.
Assim se entende que o cardeal Ratzinger em 1984 tenha publicado um documento muito crítico a ela (ao menos ao que ele entendeu por ela) e, logo em seguida, tenha publicado outro documento em que acolhe substancialmente a sua contribuição (1986).

Esse ir e vir no pensamento da fé constitui a teologia cristã como tal e nunca deveria deixar de ser característica sua. Pelo qual não se entende os maus tratos que receberam os teólogos latino-americanos do pós-Concílio. Mas isso já é outro assunto.

Por enquanto, cabe destacar que ela é teologia católica é, consequentemente, uma contribuição à teologia da Igreja Católica:
  • Deve se celebrar, portanto, que Deus opta pelos pobres, e que esta opção deve se traduzir em uma opção preferencial da Igreja pelos pobres. Em Aparecida, Bento XVI assegurou que a opção pelos pobres é inerente à fé em Cristo. Em suma, não se pode ser “cristão” se não se toma partido pelos pobres contra a injusta pobreza. Nossas sociedades estão dispostas a renunciar a se chamar de “cristãs” já que sua opção real é o consumo, a concorrência, a concentração da riqueza, tudo ao menor custo possível, baixos salários e desemprego?

  • A Teologia da Libertação, como teologia católica, urge a Igreja a se converter na Igreja dos pobres. Não é só legítimo afirmar isso. É preciso ser realizado. A Teologia da Libertação, com pleno direito, pede aos católicos não só uma conversão a um estilo austero em favor dos que não têm. Os católicos devem compartilhar todo o necessário para tirar da miséria os que vivem nela.

Como é possível que, em Santiago do Chile, haja pessoas que morrem de frio nas ruas, hoje que sobram meios para evitar isso?! Caridade, luta contra a injustiça, olfato solidário… Tudo isso está faltando. Mas falta o mais importante: uma Igreja que receba dos pobres o seu olhar sobre o mundo, o seu modo de sofrer, a sua capacidade de luta e de espera.


Estamos, na realidade, à espera da Igreja que a Teologia da Libertação gerou nos bairros populares: uma Igreja alegre, participativa, compassiva, com abertura à totalidade da vida humana e exigente sociopoliticamente falando. Uma Igreja com sentido comum para interpretar a doutrina da Igreja universal e, por isso, uma Igreja que vai abrindo um caminho a um catolicismo tímido.
Em suma, a revalorização da Teologia da Libertação representada na assunção ao cargo de prefeito da Congregação da Fé de Müller dá fogo e autoridade à Igreja quando ela mais o necessita.





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